ATELIER DE PROSÉRPINA (para Luciana Dizioli)
Como se mede a distância do desejo para o afeto?
Como se costura o desenho de um corpo na pele?
Acaso a vida persponta tecidos de mágoas a quem distraído veste a roupa da paixão?
No atelier de prosérpina tirei medidas de incomensuráveis dúvidas
Foi lá que, com fita métrica da dor, fiz estas vestes fulvinegras com que cobri meu sexo e readquiri a visão do Éden ante ao pecado original.
Foi lá perdido num vale de sombras
Que desposei uma a uma as filhas de Prosérpina no cemitério
Mas principalmente lá,
Onde de todas as maneiras fustigado,
Inerme compreendi o sentido inelutável do verbo amar.
Roberto Sullivan (21.03.98)
Beto KPT

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