segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E assim, poeticamente nasce uma ideia!



ATELIER DE PROSÉRPINA (para Luciana Dizioli)

Como se mede a distância do desejo para o afeto?

Como se costura o desenho de um corpo na pele?

Acaso a vida persponta tecidos de mágoas a quem distraído veste a roupa da paixão?

No atelier de prosérpina tirei medidas de incomensuráveis dúvidas

Foi lá que, com fita métrica da dor, fiz estas vestes fulvinegras com que cobri meu sexo e readquiri a visão do Éden ante ao pecado original.

Foi lá perdido num vale de sombras

Que desposei uma a uma as filhas de Prosérpina no cemitério

Mas principalmente lá,

Onde de todas as maneiras fustigado,

Inerme compreendi o sentido inelutável do verbo amar.

Roberto Sullivan (21.03.98)

Beto KPT





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